Naipe Estranhos - Uma Narrativa de RPG O Que é Naipes Estranhos?

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América do Sul

Não há nenhum indício de controle ou organizações de grande influência no cenário sul-americano. Segundo o Conclave, a população de Licantropos é elevada na região, mas eles estão em sua maioria concentrados longe dos grandes centros urbanos, habitando cidades do interior, pequenas vilas, ou ainda divididos tribalmente nas florestas tropicais. Estudos históricos apontavam a existência de uma pequena elite de Vampiros e Carniçais vivendo entre os Astecas e Maias, mas estas famílias teriam sido caçadas até a total destruição pelos colonizadores; atualmente, os poucos Vampiros existentes no continente são descendentes dos Souza e Melo ou Ordoñez de pouca expressão nos assuntos de suas Casas.

O Nexo do Rio de Janeiro é um dos mais fracos, com pouco fluxo entre os Planos, supostamente abrindo para Mundos desabitados e de baixa estabilidade mística. Existem passagens que abririam para alguns dos Planos Inferiores, permitindo a fuga ocasional de forças imateriais, basicamente sensações de violência e luxúria que exerceriam uma leve influência no comportamento da população, mas nada muito grave que exigisse uma interferência. Estudiosos (alguns charlatões) acreditaram que o Nexo iria mudar de lugar para o Planalto Central do Brasil, tornando-se mais poderoso e permitindo a integração com uma suposta raça de um Plano Superior que traria paz e harmonia para toda a humanidade, mas esta mudança jamais ocorreu.

Supõe-se que a Amazônia seja hoje uma das maiores áreas inexploradas do Mundo Ausente, podendo esconder segredos e mistérios capazes de desafiar tudo aquilo que se sabe. Totens perdidos de Licantropos, Magias Primitivas, xamanismo em alto grau, Relíquias jamais vistas, portais para Mundos estranhos, o caminho para a Afinidade com a Esfera Selvagem, muito se tem falado sobre a floresta, mas poucos conseguiram emergir de seu interior com algo mais do que picadas de mosquito e uma forte sensação de opressão.

O mais próximo de uma organização mística que poderia existir no continente é a Brujeria, uma irmandade de feiticeiros amadores com membros espalhados por vários países. Funcionando mais como uma sociedade de ajuda mútua para seus filiados, ocasionalmente a Brujeria consegue produzir Magia de verdade ou capturar um ou outro Ser Sobrenatural.

África e Oceania

Expurgada por séculos de colonização predatória e todo tipo de aventureiro, a África permanece desprovida de uma organização política coesa, tanto entre os laicos quanto no cenário do Mundo Ausente. É válido lembrar ainda que, em 1982, o racismo contra a maioria negra era forte na África do Sul, o país economicamente mais evoluído do continente. E não podemos esquecer as tragédias sociais de Biafra, Etiópia e as eternas guerras tribais.

Falando francamente, o continente africano é um vasto território de riquezas materiais e místicas disputado em segredo por poderes escusos europeus e americanos em várias frentes de batalha diferentes, onde os governantes locais, sejam Vampiros ou não, são manipulados por forças que não se revelam. A Casa Hontam mantém seu poder na África, conquistado com longas e sangrentas disputas, assim como sujos e cruéis acordos e alianças. Mas dentro da própria Casa, a disputa entre primos mantém a instabilidade característica da região. A Lei do Mais Forte ainda determina as relações políticas entre os sobrenaturais no continente. Os poucos Licantropos são fortemente influenciados pelos Hontam após milênios de dominação e não costumam acatar as decisões do Conclave.

Após o fechamento forçado do Nexo de Casablanca, o Mundo Ausente perdeu definitivamente qualquer interesse maior na área. Mas é justamente este isolamento que permite a existência de poderes e conhecimentos ocultos na floresta, no Coração das Trevas, que pareceriam incoerentes ou impossíveis para o modo de pensar do Ocidental...

Oceania

A Oceania não possui tradição mística. Pelo menos do ponto de vista dos colonizadores europeus que nada encontraram exceto um punhado de xamãs exercitando uma Magia primitiva (e pouco eficaz, se comparada com as Bolas de Fogo e Toque Mortal dos invasores) e alguns monstros de origem indeterminada. Nenhum Licantropo, Vampiro ou mesmo Fantasma foi encontrado por lá. Santos, Serial Killers ou Scanners só começaram a se manifestar na região após a colonização. Mas mesmo assim em pequena quantidade.

As lendas aborígenes entretanto são muito ricas e falam de Homens-Serpente, Demônios de muitas formas, Criaturas que atacam os sonhos dos vivos, Monstros Errantes e sobre um Plano Espiritual paralelo, o Alcheringa, de onde toda a criação brotaria e para onde tudo se encaminharia após a morte. Este repertório cultural vasto indica um passado misterioso para a Austrália, indicando que a ilha teve um ambiente espiritual bastante complexo, que por algum motivo se extinguiu subitamente a milhares de anos atrás. Lovecraft, descrito por alguns como um louco ou um reles escritor com estranhas idéias, afirma que muitos dos chamados Antigos habitaram esta região. Talvez ainda haja Coisas na Oceania que será melhor que permaneçam ocultas.

Foi na Austrália também que pela primeira vez se descobriu uma variação da forma como a Fonte é manipulada: os feiticeiros tribais conseguiam mergulhar nas Esferas Espirituais utilizando ossos ou pedras como manifestações de poder, ao invés das Cartas, usadas em outras partes do mundo. Atualmente se sabe que a Fonte tem muitos meios de se fazer presente, e que as cartas de baralho apenas são as mais comuns.

O Nexo Australiano é pequeno e errante, mudando de lugar através das vastas regiões desérticas do país, as Terras de Ninguém. Através deste portal seria possível alcançar o Alcheringa, uma região de sonhos, intangível, assolada por pesadelos em alguns lugares e repleta de revelações em outros. Estudiosos italianos tentaram mapear a dimensão na década de 30, sem sucesso.

Atualmente, a Oceania (a Austrália e as outras ilhas-nação ao redor) permanece isolada dos acontecimentos mundiais, formando uma comunidade pacífica onde alguns poucos Vampiros convivem harmoniosamente com Licantropos, Santos e demais habitantes do Mundo Ausente.

Ásia e a Sociedade de Bombaim

O Extremo Oriente sempre foi um poço de mistérios e encantos para o coração ocidental, terra de contrastes e extrema espiritualidade, onde a crença em poderes paralelos sempre esteve presente na cultura de todos os cidadãos. Maior de todos os continentes, berço da civilização, espaço para tradições milenares, a Ásia permanece impenetrável, incompreensível para aqueles que não estão autorizados a saber. Em Bombaim, capital mística deste estranho continente, existe um Nexo, e toda uma sociedade do Mundo Ausente. Mas é sabido que, se não for explicitamente convidado de alguém, você pode passar semanas na cidade rastreando, perguntando, investigando e não encontrará nada, apenas mágicos de rua e falsos profetas. Bombaim preserva suas riquezas. E a Ásia também.

A Sociedade do Carteado de Bombaim não possui um nome. Esta alcunha é dada pelos ocidentais que precisam se referir a eles. Mas eles comandam os assuntos espirituais da cidade, os verdadeiros mestres do poder no continente, que criam leis, executam e julgam seus pares. É formada pelos melhores Carteadores, não necessariamente asiáticos (embora sejam ampla maioria), que dominam técnicas de Duelo sofisticadas e decisivas, membros expressivos também no mundo físico, geralmente magos de grande poder e/ou conhecimento. Poucas vezes foram vistos no Ocidente. Os colonizadores ingleses tentaram subjugá-los, sem sucesso, conseguindo no máximo realizar um acordo secreto que impunha limites à sanha predatória européia.

Comenta-se que a voz mais ativa dentro da Sociedade do Carteado de Bombaim seja a do Mandarim, líder guerreiro e espiritual dos Homens-Tigre chineses, sem sombra de dúvida a maior força militar na região. Mas a Sociedade interfere pouco (ou quase nada) nos assuntos mundanos, deixando o mundo laico para os laicos, como tem sido a milhares de anos sem prejuízo para nenhum dos lados.

Apesar dos atritos constantes entre Licantropos e Vampiros na fronteira Sino-Russa, a paz e a meditação são uma constante na Ásia. Trata-se de uma terra para peregrinação e aprendizado, onde aqueles fartos da competição selvagem ocidental fogem para refletir e buscar uma união maior com a Vida e a Beleza. Se lá há guerras, são em sua maioria disputas territoriais patrocinadas por mortais que sequer desconfiam da existência de um Mundo Ausente.

Formando um equilíbrio com Bombaim existe Hong Kong, terra sem lei, onde artefatos místicos contrabandeados são vendidos a peso de ouro, onde novas drogas alquímicas são testadas, onde os mercenários sobrenaturais se reúnem para discutir serviços e valores. Disputada por gangues sobrenaturais que se alternam no poder em grande velocidade, a cidade é um problema incontrolável para alguns e fonte de lucros para outros. A Cidade Corrupta, como também é chamada, abriga a escória do Mundo Ausente, nômades e exilados de outras partes do mundo são bem-vindos aqui.

Muitos dos laicos em Hong Kong sabem da verdade: da existência dos seres sobrenaturais caminhando entre nós. Mas pouco se importam, se habituaram a esta realidade, e aprenderam a tirar proveito desta convivência, ajudando a esconder este segredo dos olhos dos forasteiros. Há quem diga que esta corrupção se alastrou até o Mandarim e que ele recebe anualmente um farto tributo para permitir a sobrevivência da cidade e de seus negócios imorais. Há quem diga que a cidade é uma cabeça-de-ponte, uma porta de entrada para o interesse comercial de forças estrangeiras fortemente escoradas no lado sobrenatural.

E, isolado de todo o continente, há o Japão. E os Shutomahs.

Pouco se sabe da divisão política das ilhas japonesas e da vida dos outros sobrenaturais ali, se é que há outros além dos Senhores da Vitae Negra. O Japão é governado com mão de ferro pelos vampiros, que prontamente exterminam qualquer visitante e que jamais fizeram um convite a quem quer que seja. Muitos tentaram entrar sorrateiramente no território deles. Ninguém jamais voltou. Imagina-se, pelos noticiários, que os Shutomahs entretanto não interferem nos assuntos laicos, limitando-se somente a controlar o submundo do crime e se alimentar semanalmente dos simples mortais. Parece que abstrações como política, economia e cultura não exercem o menor interesse nestes vampiros.

Anteriormente: Europa e América do Norte.


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