Naipe Estranhos - Uma Narrativa de RPG O Que é Naipes Estranhos?

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Capítulo 52 O princípio básico por trás da Bola de Fogo Explosiva não é muito diferente daquele da Bola de Fogo comum. Essencialmente são feitiços do elemento Fogo, capazes de transmutar a essência mágica do operador em Fogo puro (ou quase puro). Ambos produzem esferas inflamáveis que podem ser arremessadas em alta velocidade como projéteis e que provocam dano por impacto e por queimadura em seu alvo. Quanto maior a quantidade de energia mística colocada no feitiço, maior o estrago. Infelizmente, para os grandes feiticeiros, existe um limite físico para esta e outras magias: acima de uma determinada carga o feitiço torna-se instável e a energia excedente se perde sem uso. Para o azar de suas vítimas, este limite já é alto o suficiente para produzir um encanto três vezes mais letal do que um disparo de Magnum .44. Para Bolas de Fogo comuns, o raio de destruição fica contido dentro do ponto de impacto. Para as Explosivas, o raio se alarga de acordo com o seu poder de destruição. Uma Bola de Fogo Explosiva em carga total provoca uma explosão de fogo místico que atinge todos que estiverem dentro de um raio de até dez metros. Disparada levianamente pode afetar inclusive o feiticeiro.

ATHROPOS sabia o que estava fazendo. A Esfera rubra ergueu-se poucos metros no solo e depois desceu, movida pela inexorável força da gravidade, uma força a qual ele não precisava obedecer. Enquanto a Esfera subia, o Porteiro desaparecia para dentro do solo, enterrando-se fantasmagoricamente embaixo do jardim.

A Esfera desceu e Danov procurou abrigo. Mas nem mesmo sua velocidade excepcional o colocou fora do raio de chamas que se alastrou em frações de segundos. O toque cáustico das chamas envolveu suas costas e queimou sua carne. Dano místico. Não iria cicatrizar por meios normais. Mas não teve muito tempo para pensar a respeito.

A Esfera desceu e Ninrod tentou um teleporte. Concentração zero, cartas sacadas em sucessão e um salto em direção a nenhum ponto específico. Quando a explosão começou, Ninrod já estava a duzentos metros de distância e sequer sentiu o vento quente que fluiu por entre os galhos das árvores. Mas não teve muito tempo para se sentir seguro.

A Esfera desceu e Dylan viu ATHROPOS escapando para o solo. Uma tática muito interessante para se utilizar no futuro. Precisava aprender esta Magia. O semideus permaneceria ileso, enquanto seus inimigos seriam engolfados pela onda de fogo. Dylan tentou entrar para a terra também, mas foi mais lento do que deveria e o calor insuportável envolveu sua cabeça. Desmaiou com o choque. Mas não teve muito tempo para ficar inconsciente.

Todos os quatro estavam agora em pé, em cima do teto de automóveis, em uma realidade muito distante dali. Um vasto pátio de estacionamento, tão vasto que seu término não podia ser avistado. Um céu cinzento pairava acima e um incessante som de britadeira podia ser escutado muito próximo. Alguns poucos carros enferrujados apodreciam no concreto, mas as vagas vazias marcadas por uma tinta branca que quase desaparecia estavam em um número bem maior. Não havia mais ninguém naquela imensidão além deles.

Danov não apresentava nenhuma alteração no Plano Astral. Sua aparência no mundo físico ou em qualquer outro era sempre idêntica. Dylan, graças à maldição que Kerevski lhe impusera, não tinha o menor controle sobre como os outros iriam vê-lo. Para seus oponentes e aliados no mundo astral, ele seria um eterno jovem dos loucos anos 70, de roupas coloridas. Ninrod exibia o que talvez fosse sua verdadeira aparência inumana. Sua pele era arroxeada e lisa, completamente sem pelos. Sua cabeça lembrava a de um cavalo. Um cavalo com olhos avermelhados e malignos, com dentes afiados de piranha e voz de homem. De suas costas, quatro tubos orgânicos brotavam e um barulhento ruído de respiração saía pelos buracos.

ATHROPOS era uma mancha, uma sombra negra e sólida, sem nenhum traço característico de raça, gênero, idade ou nível de poder. Ele não estava ali para Duelar. Um combate astral contra o semideus só poderia terminar em morte.

Ou Aniquilação.

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