Narrativa ficcional inspirada no universo de RPG Naipes Estranhos para GURPS (em desenvolvimento). Vampiros, Fantasmas e um Assassino Serial em uma história de suspense e magia.
Capítulo 48
Fora insistência dela. Desde o momento em que recebera a carta
de Ramanendra, Dylan sabia que deveria ir sozinho: o Velho Continente
era o seu túmulo e, acima de tudo, muito longe das fronteiras
familiares e acolhedoras das colinas de Hollywood. A Europa significava
Elfos, Magia Antiga, feiticeiros, a sombra da Inquisição,
fantasmas seculares arrastando correntes, licantropos correndo nus
pelas florestas. A Europa tinha cheiro de passado e o dele não
era memorável. Ele chegou a pedir para que ela não fosse,
mas ela perguntou o porquê e ele não soube responder.
Logo em seguida eles estavam passeando pelo Sunset Boulevard e não
se tocou mais na possibilidade de Jennifer ficar em casa.
Dylan deu pouca importância a seus aliados. O que havia para
se notar? Um vampiro escritor e um demônio vingador? Já
vira tipos mais interessantes em coquetéis de lançamento.
Apenas um pensamento rápido passou por sua cabeça, tão
tolo que foi logo descartado: como o vampiro conseguira um terno Armani
daquele tamanho? O corte era impecável. Mas outros flashes
de pensamento iam e vinham mais importantes: lembrava de No Future,
de Deborah Swantson e seus avisos, da conversa hostil com a "menina"
que curava plantas, da fria solidão da Esfera da Morte. Do
sangue de Susan Dullard jorrando incontrolável, encharcando
suas roupas, gotejando sobre o asfalto. Tinha lembrança do
medo. Tinha lembrança da solidão.
Não havia sentido em negar o óbvio. Estava morto e era
um fantasma. Sempre seria.
Concentrou-se por um segundo (era tudo que precisava) e visualizou
a sua arma fincada no solo duro do Ponto Cego. Estendeu sua mão
para o vazio e segurou o punho da Lâmina da Morte. Sem olhar
para seus aliados, Dylan Carmichael atravessou a parede do segundo
andar da mansão e saiu para o jardim.