Naipe Estranhos - Uma Narrativa de RPG O Que é Naipes Estranhos?

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Capítulo 41
- Preciso ver Pharad agora!!

A voz urgente vinha do meio dos livros e colocou Danov em guarda. Sem parar para pensar, ele buscou se posicionar a frente de Pharad, para dar proteção. Mas algo naquele tom de voz estava mais próximo do medo do que da ameaça.

Dylan Carmichael atravessou a estante mais próxima com incrível velocidade. Era óbvio que o fantasma entrara correndo na biblioteca, passando por tudo que estivesse em seu caminho, abandonando qualquer ilusão de vida "normal" que estivesse tentando criar. Para ele, manter as aparências era uma preocupação constante em seu dia-a-dia (mas não era assim com qualquer um em Hollywood?) e lembrar de sua condição imaterial era resultado de um esforço consciente.

Estacou diante da "casca". E dos olhos espantados de um vampiro e de um feiticeiro.

- Estou com um mau pressentimento aqui. Um pressentimento muito, muito ruim. - tentava soar displicente, mas sua voz tremia.

- Boa noite, senhor Carmichael. É o primeiro a chegar. Eu diria até que veio rápido demais, um tanto quanto...abrupto. - falou Pharad, pausadamente.

Dylan desviou os olhos de No Future. Danov reparou que ele estava bastante assustado e, se estivesse vivo, estaria com a respiração presa. "Suando frio" também era uma expressão que poderia se adequar, embora não literalmente. "Você só pode saber o que um fantasma pensa pelos seus olhos e, às vezes, nem assim", pensou Danov. Dylan fez o gesto mecânico de umedecer os lábios e se explicou:

- Peço desculpas pela minha entrada. Mas meu assunto é urgente.

- Há muitos assuntos urgentes em andamento esta noite, pelo o que eu vejo. - disse Pharad.

- É sobre minha esposa. Ela desapareceu de nosso quarto e não consigo encontra-la em lugar algum. Por favor, Pharad. Ela é laica!

- Eu a conheço. A atriz Jennifer Long, encantadora. - Pharad se comportava como se estivesse conversando com amigos em um chá de caridade. Considerando o grau de tensão em que estava minutos antes, Danov não sabia o que achar.

- A mulher pode estar correndo perigo neste momento, Pharad. Temo que a mansão não seja mais segura para ninguém. - afirmou Danov - Precisamos tomar providências urgentes ou outros podem se ferir!

- Eu não chamaria um aniquilamento de ferimento, Danov. Há forças estranhas em andamento nesta casa e, por um momento, pensei ter compreendido, mas estava errado. - Pharad estava novamente sério, ainda que parecesse estar escondendo algo.

- Há pessoas sendo aniquiladas aqui e eu quero saber onde está minha esposa! Agora!!

Pharad se levantou da poltrona onde permanecera sentado todo o tempo. Não era alto, mas era bastante altivo e tinha um olhar duro encaminhado para Dylan. O fantasma havia gritado para um membro do Concílio dos Cinco, em sua própria residência, sem medir palavras. Mais do que isso, havia feito uma exigência. Danov já vira seu avô machucando carniçais por muito menos e sua família raramente toleraria este comportamento de um convidado. Mas ele também aprendera que os valores fora do castelo eram mais flexíveis e que certos protocolos poderiam (e até deveriam) ser quebrados.

- Senhor Carmichael... eu lhe dou minha garantia pessoal que mal algum será feito contra sua esposa. Pode contar com todo o apoio que estiver ao meu alcance e, antecipadamente, peço desculpas por qualquer incômodo que possa ter ocorrido.

- Não quero parecer impertinente, Pharad, mas não vejo muita segurança por aqui. - o dedo de Dylan apontava para No Future. - E, eu posso ser um ianque mal-educado que não entende nada destas formalidades européias, mas tenho a impressão que não vai pegar nada bem esta história toda para o Concílio.

- Os assuntos de minha propriedade não são assuntos do Concílio. E você está certo: você não entende nada destas formalidades. Mas, se continuarmos discutindo, nada descobriremos.

Dylan sossegou por alguns instantes, o tempo necessário para Pharad entrar em contato com seus servos e organizar uma busca. Ou, pelo menos, foi o que pareceu para Dylan: Pharad falou em voz alta com alguém que não estava na sala, executando uma magia de comunicação com a mesma trivialidade de quem pega um telefone. Quando o outro concluiu, Dylan voltou ao ataque:

- Você conhece uma fantasma chamada Deborah Swantson?

- Não.

- Pois ela entrou na festa. Eu encontrei com ela duas vezes nesta noite e ela me disse que ATHROPOS está aqui também. Como você me explica isto, Pharad?

- Não tenho explicações.

- Eu vi Deborah pela janela do meu quarto e saí para ver o que ela tinha para me dizer desta vez, mas ela sumiu no ar. Procurei nos jardins e nada. Quando eu volto para meu quarto, minha esposa não estava mais lá. Meu deus, ela não sabe de nada! Ela não tem como se defender neste mundo...ela...

Pela primeira vez, Danov viu um fantasma desabando. Não era nada diferente de um ser vivo, a cabeça abaixava, a voz sumia e toda a força se convertia em desalento. Não havia lágrimas, porém. Mas o sentimento era rigorosamente o mesmo. Dylan agora estava calado e assim ficaria até o primeiro dos demais convidados chegar.

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