Narrativa ficcional inspirada no universo de RPG Naipes Estranhos para GURPS (em desenvolvimento). Vampiros, Fantasmas e um Assassino Serial em uma história de suspense e magia.
Capítulo
25
Danov sorri por dentro, para não dar nenhuma pista de como
sua mão foi feliz. Tem três cartas de valor seis, o mais
alto permitido na Esfera Beleza, quase uma garantia de dano para Kira.
Experimenta um Seis de Paus e Kira reage com um Rei de Ouros, uma
carta inválida; desta vez ela não tem qualquer alternativa
exceto aceitar a carga devastadora que a atinge. Danov vê o
corpo espiritual de sua suposta irmã se contorcer em rápidos
e dolorosos espasmos.
Kira faz um Descarte Cego, uma provável demonstração
de que suas novas cartas não são muito boas. Danov se
livra de uma carta de Espadas enquanto vê sua oponente invocando
mais uma vez as energias da Esfera para dentro de si, recuperando
um pouco daquilo que perdeu no ataque anterior. Mas o que entra é
muito pouco, o ambiente parece se retrair, abandoná-la como
um amante volúvel.
Danov usa um Seis de Ouros no Descarte de Batalha, sua carta evaporando-se
em pura destruição rumo ao peito de Kira. Ela defende
com um Cinco de Ouros que tinha escondido antes e tenta seduzi-lo,
tomar o controle para si do ataque dele e desviar. Mas falha, pela
primeira vez no Duelo, e recebe a descarga mística grave.
Kira ainda sofreria mais duas derrotas seguidas, enquanto tenta desesperadamente
esvaziar sua mão para renovar as cartas. Danov vê as
tentativas dela de criar uma barreira ao redor de si, de recuperar
energia, de reverter a mão ruim que a Fonte sorteou para si
de alguma forma. Mas a Esfera se retrai, não coopera mais como
antes e Danov abre vantagem. Ele decide conversar:
- Este confronto é inútil e desnecessário. Não
desejo machucá-la. Renda-se e vamos conversar.
- Do que você está falando? Não existe nada para
ser machucado. Estamos em Duelo, não estamos?
- Mas a dor é real. E eu não quero isto para você.
- A dor não é real para mim, apenas para os fracos.
E você não irá vencer, Danov.
- Você não tem chances. E sabe disso.
- Pharad me preveniu de sua autoconfiança e de seu "cavalheirismo".
- E o que mais ele disse a você sobre mim, Kira?
- Disse para eu não magoá-lo, que talvez sejamos irmãos.
- E somos?
- E como é que eu vou saber?!
Ela livrou-se de sua última carta e pegou um baralho novo.
A cada vez que um Carteador fazia isto, parte de sua fadiga ia embora
e não podia ser recuperada por meios normais. Kira já
estava em seu terceiro baralho, com tanto gasto de fadiga um ser humano
comum já teria caído. Danov já vira aquele tipo
de confronto antes, quando os oponentes trocavam de baralho após
baralho até que, esgotados, ficavam trocando ataques vazios
e fracos baseados apenas em força interior e não mais
em cartas. Podia sentir que aquele duelo caminhava no mesmo sentido.
De uma forma ou de outra, então venceria. Kira seria derrotada
pelo cansaço.