Narrativa ficcional inspirada no universo de RPG Naipes Estranhos para GURPS (em desenvolvimento). Vampiros, Fantasmas e um Assassino Serial em uma história de suspense e magia.
Capítulo
5
Swantson desembarcou em Manchester de madrugada, desarmado. Trazia
consigo somente um sobretudo gasto (que já vira dias melhores)
sobre o corpo. Em um dos bolsos, a carta. Em outros, dois conjuntos
diferentes de documentos falsificados, incluindo passaportes. Mesmo
um olhar clínico não conseguiria distinguir a documentação
de uma verdadeira. Uma pequena fortuna gasta em Chicago, meses antes,
essencial para ir e vir sem ser incomodado. Se fosse revistado, encontrariam
as duas identidades diferentes e então estaria encrencado.
Mas, antes que chegasse a este ponto, o pobre guarda já estaria
com ossos quebrados ou morto. Como metade do esquadrão da SWAT,
por exemplo.
Detetores de metal eram um incômodo. Nada de pistola. Nada de
rifle. Nem mesmo um machado. Tinha doze horas antes da festa, para
descansar (ou tomar um café), alugar um carro, comprar armas
clandestinas, tomar um banho e achar o caminho para Sutterville Dream.
E comprar um jornal.
"Querem que eu mate alguém. Isto é claro. Se precisassem
de meus serviços de contabilidade, não teria necessidade
alguma daquela chantagem barata. Mas será que não existem
serial killers nesta merda de ilha?!", ele se flagrou pensando
mais uma vez. Uma festa de Carteadores. O alvo seria um Carteador.
"Morte ou Aniquilação?". Swantson não
enfrentava um Carteador havia mais de um ano, estava enferrujando.
O´Brien dissera que o Baralho dele era forte e não estava
mentindo. Em cinco anos, Swantson só perdera um Duelo. Morte.
As piores vinte e quatro horas dos piores cinco anos de sua vida.
Ele troca seus cheques de viagem por libras no balcão do aeroporto
e compra um mapa da região em uma lojinha de conveniência.
Aluga um carro, mas o acha muito pequeno. E o volante está
no lugar errado. "Ingleses filhos da puta...". E pensa sobre
onde vai conseguir armamento em uma cidade como Manchester.
Afinal já tinha sido bastante difícil cruzar a fronteira
canadense, com um alerta máximo no Estado para pegar os Assassinos
do Cortiço ("a cada hora eles inventam um nome diferente,
que bosta!"). Mas aquela parte da fronteira tinha muitas estradinhas.
E os aeroportos do Canadá eram excelentes: os funcionários
anos-luz mais atenciosos que os paranóicos americanos.
Comprou o New York Times em uma banca fora do aeroporto. Não
chegara a ganhar a primeira página, mas estava lá a
reportagem sobre o "Massacre do Cortiço". A polícia
teria supostamente cercado uma quadrilha de traficantes de cocaína
em um hotel barato na cidade de **** e houve troca de tiros. Quatro
agentes foram mortos em ação e dois feridos. Nenhuma
palavra sobre Joseph Swantson. Os traficantes teriam escapado.
Traficantes de cocaína no interior do país ("eles
não ficam na Flórida, meu Deus?!"). Quatro policiais
da força da SWAT mortos e ninguém é preso. Swantson
ficava pasmo como os laicos engoliam esta conversa fiada sem questionar.
Já tentara há muito tempo entender como as notícias
eram manipuladas ou por quem. Mas não se conformava com a estupidez
dos leitores.
E alguém entregara a localização dele. Alguém
que sabia onde ele estaria a tal ponto de lhe enviar uma carta.