Naipe Estranhos - Uma Narrativa de RPG O Que é Naipes Estranhos?

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Capítulo 3
- Foi aqui que eles me mataram.

Dylan Carmichael aponta para um beco de Londres, um entre milhares. Dois latões de lixo abarrotados alinhados na parede de tijolos de um prédio, um bueiro fechado no fundo, uma pichação dos "Sex Pistols" de anos atrás e nada mais. Nada de pentagramas, mendigos com um olhar estranho, manuscritos proibidos ou algo assim. Um beco. Qualquer. Onde Dylan Carmichael morreu.

- Eu sinto muito.

- Não há o que sentir. Estamos a passeio, esqueceu? Temos uma festa para ir!

Dylan, que não é seu nome de batismo, mas é como ele prefere ser chamado, olha para sua esposa, compara suas duas vidas e conclui rapidamente que o passado foi um extraordinário desperdício de força e fôlego. Ele está melhor e mais feliz agora. Mesmo morto. E vir até este beco antes da festa foi uma tolice. Jennifer está com um olhar melancólico. Se eles permanecerem por muito tempo, ela certamente chorará.

Ele se esforça para sair do lugar, chamar um táxi e partir. Mas não consegue.

Simplesmente, não consegue.

- Temos uma festa para ir... - ele murmura desta vez.

- Isto não está certo. Você não tem que ir. Nós não temos que ir. Vamos voltar para casa.

- Eles arrancaram minha alma do corpo bem aqui...

- Vamos, Dylan.

Se ela pudesse pegá-lo pelo braço, ela o teria feito neste momento. As pessoas passam pela rua sem se darem conta de que há um fantasma bem ao lado delas. A menos que alguém esbarre em Dylan obviamente. Jennifer repara que ninguém também sabe quem ela é. Fora de Los Angeles, para ela, já é outro mundo completamente diferente. Para todos os fins, o diretor Dylan Carmichael e sua esposa, a atriz Jennifer Long, estavam na Inglaterra procurando locações para um próximo projeto.

- Eles se deram ao trabalho de roubar meu passaporte e todos os outros documentos. Destruíram minhas digitais, minha arcada dentária e meu rosto...

- Dylan...

- ... fui enterrado em um cemitério de indigentes, descobri depois. Não pude ver meu próprio enterro. Nem ao menos isso. Não sei em qual cova meus ossos estão. Eu também perdi este vínculo. E muito mais. Dois meses aprisionado em Morte, vendo os Carteadores indo e vindo, alguns morrendo, outros não. E vi a Aniquilação. Nunca senti tanto medo. Tanto frio...

- Chega, Dylan. Vamos, agora.

Ela não chorou. Ofereceu para ele um olhar cálido que dizia muito mais que um toque poderia expressar. O beco voltou a ser apenas um espaço entre dois prédios, sujo e vazio.

- Bem, parece que temos uma festa para ir. - disse ele - Já escolheu sua roupa?

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